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01 abril 2018

{Resenha} ~ Coragem - Rose McGowan ~

Hey, gente!
Tudo bem por aí?
Estão aproveitando para botar as leituras em dia? Eu sim!
Tô cheeeeeia de coisa pra ler, tô atrasada com minha leitura do Rouge Literário... mas segue o baile, hihi!

Hoje nós vamos conversar sobre um livro que é no mínimo incômodo. Talvez essa não seja a palavra certa, mas a sensação que tive ao lê-lo foi essa: fiquei incomodada. Não só incomodada... fiquei revoltada! Arrasada! Chocada. E não é para menos...

Vim para apresentar um pouco da vida de Rose McGowan, e sua história está longe de ser um conto de fadas.


Skoob
Quando li: Março, 2018.
Título: Coragem
Autor(a): Rose McGowan
Editora: HarperCollins Brasil
Páginas: 288
Avaliação: 
Onde comprar? Amazon | Saraiva


É a primeira vez que eu faço uma resenha de uma biografia - aliás, nesse caso, uma auto-biografia -, e a sensação que eu tenho é de que não cabe uma resenha propriamente dita, e sim um bate papo acerca do assunto desse livro, pois ao contrário do que parece, Coragem não é somente sobre a vida de uma celebridade de Hollywood, é também sobre uma mulher que resolveu emergir do fundo do poço e levar consigo aquelas que passam ou passaram pelo mesmo que ela passou.

Antes de nos aprofundarmos mais nisso, vamos conhecer nossa autora e narradora. Rose McGowan é uma atriz norte-americana que nasceu em Certaldo, Itália, em 5 de setembro de 1973. Ela apareceu de verdade para o mundo cinematográfico pela primeira vez ao estrelar Geração Maldita, e sua atuação lhe rendeu uma indicação de "Revelação" em 1996 no Independent Spirit Awards.

Ainda em 1996 ela deu vida a Tatum Riley no filme de terror Scream - Pânico II - , um dos filmes do gênero que mais arrecadou dinheirinhos na história (amo forte essa franquia. Saudades.).

Rose atuou ainda em Malucos por natureza (1996); Kiss & Tell (1996); Indo até o fim (1997); Fantasmas (1998) e Um crime entre amigas (1999), onde interpretou Courtney, uma personagem também muito famosa em sua carreira. Em 2001 ela entra para o elenco de Charmed para interpretar Paige Matthews, ficando no quadro de atores por cinco temporadas seguidas.

Recentemente, Rose atuou em Once Upon a Time, onde viveu Cora, mãe da rainha má Regina.

Bem, agora que já refresquei a memória de vocês - não sei se vocês são como eu... eu preciso de imagens para ligar o nome à pessoa! -, podemos falar sobre o livro, especificamente.

Em Coragem, Rose McGowan usa uma das melhores armas que já encontrou na vida: as palavras. Foi com elas que ela pode mostrar para o mundo todas as atrocidades que o meio hollywoodiano proporciona às mulheres, e neste livro, ela conta suas próprias experiências, mostrando-nos que sua vida nem sempre - ou talvez quase nunca - foi um mar de rosas.

"Minha vida, como você vai ler, me levou de um culto ao outro, o maior culto de todos: Hollywood. CORAGEM é a história de como lutei para sair desses cultos e retomei as rédeas da minha vida. Eu quero ajudar você a fazer o mesmo."

Essa mulher de rosto marcante já comeu o pão que o diabo amassou, gente. Acho que por isso que esse livro me incomodou tanto! Fiquei incomodada pois sempre pensava: meu Deus, como puderam deixar que isso acontecesse a ela??? Rose sofre desde sempre, desde a infância, e isso não é um exagero. Ela nasceu em uma família extremista, que fazia parte de uma seita que pregava, além de outras coisas revoltantes, o machismo. Por volta dos 13 anos ela saiu de casa, morou na rua; trabalhou numa funerária - segundo ela, esse foi um tempo feliz, proporcionando pela paz que o silêncio do local lhe trazia -; foi e voltou para a casa do pai, depois de um tempo, foi morar com sua mãe, que era sempre dominada por homens tão abusivos e problemáticos quanto seu pai. Quando chegou à Hollywood, ela pensou que finalmente seus problemas tinham acabado, mas estava enganada: eles, na verdade, tinham acabado de piorar.

Rose narra seus dias como atriz com muita franqueza, com muita verdade, e isso faz com que a leitura seja difícil, muito difícil. Ela não nos poupa detalhes. Ela narra os bastidores sem papas na língua, de forma honesta e direta. Ela nos mostra o quão devastador, prejudicial e tóxico esse mundo é para quem vive nele.


Como eu contei ali, a atriz foi criada numa seita, e ela usa essa terminologia para nos mostrar que nossa vida tem mais seitas do que as que imaginamos existir, e ela nos mostra em quais delas ela viveu. Antes de ler essa obra, eu tinha uma visão totalmente diferente da palavra e do que ela realmente implica, e depois de Rose nos mostrar sua versão, vi que seita nada mais é do que alienação. Ela conta sobre o tempo em que viveu alienada à religião que conheceu quando criança, sobre a alienação do estrelato, a alienação dos amigos falsos, dos relacionamentos abusivos;. até que ela cai em si e entende que é hora de acordar e deixar de ser alienada, que é hora de deixar todas essas seitas de lado e de criar uma nova: a seita da auto-preservação, do auto-conhecimento, do respeito a si mesma.

Feito isso, Rose usa sua voz e sua influência para denunciar o que há de pior nos bastidores de Hollywood e também para ajudar outras mulheres que possam estar passando pelos mesmos traumas que ela passou, ou que podem vir a passar, caso continuem trilhando determinado caminho. Ela viu o pior do mundo, por isso, luta para guiar as mulheres por um caminho diferente, um caminho sem abusos, onde as mulheres são respeitadas, e acima de tudo, onde se valorizem, se fortaleçam.

Não é por que ela se tornou uma ativista e defensora dos direitos das mulheres que ela deixou de atuar, que deixou de viver daquilo que ela mais ama - o cinema. Não. Agora, ela usa toda a sua influência e força para se impor, para trabalhar em paz e em um meio mais digno, e cada dia é um novo dia de luta, pois os traumas sofridos no passado deixaram marcas profundas e eternas em sua mente e alma, e por essas e outras, a cada amanhecer, ela precisa travar uma nova guerra.

Esse livro deveria ser lido por todos, viu. Não só por ser empoderador por demais, mas por ser um alerta para a sociedade. Espero que obras como essa virem uma rotina, pois quanto mais falarmos sobre o assunto, maiores serão as chances de nós mulheres termos o respeito merecido e almejado.


Para fechar esse nosso bate papo, queria falar um pouquinho sobre essa edição. Ela é simples, sem firulas, e acho que isso deu ainda mais identidade e força ao conteúdo. Uma edição crua para um conteúdo cru. A capa é maravilhosa, forte, bem como a contracapa. Ela mostra a força da atriz, transmite uma segurança ímpar, difícil de se encontrar por aí. Eu encontrei um ou dois errinhos de digitação, mas nada que prejudique a leitura. As folhas são amareladas, têm uma gramatura gostosa, nem alta e nem baixa, naquela medida delicinha. Mas o que eu mais amei foi o tamanho da fonte... ah, que maravilha! Meus olhinhos míopes agradecem imensamente.


Bem, termino essa longa "resenha" recomendando essa obra fortemente. O mercado anda meio saturado de livros empoderadores, mas nem todos realmente têm o "poder de empoderar" (que expressão engraçada... acho que ficou meio que um pleonasmo, mas vamos lá, hahahha).

Em Coragem, poder é o que não falta!


10 comentários:

  1. Oii Fabi!!
    Creio que vc seja mais uma das pessoas que leram que teve essa reação, lendo sobre a história em resenhas já fiquei com uma sensação estranha... Qro mto ler e conhecer a história, me chamou mta atenção, não leio mto o gênero mas essa não posso perder.
    Bjs!

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  2. Eu não fiquei muito interessado em ler esse livro mas eu gostei o fato de abordar em a questão 17 sexuais e os abusos que rola muito na indústria cinematográfica em Nova York e ao redor do mundo

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  3. Conheço os trabalhos dessa atriz, alguns são muito bons!! Pela sua biografia, podemos ver o quanto sua vida foi conturbada e difícil, o bacana é que apesar de tudo, ela não desistiu de ir atrás do seu sonho, que era ser atriz. Fiquei curiosa para saber mais sobre sua vida narrada nesse livro!!

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  4. Segunda "resenha" que leio deste livro e pelo que percebi em ambas, é complicado demais falar de um livro assim.
    Pela dureza da realidade que a moça viveu. Por seus traumas e creio que na forma que tudo foi abordado, sem colocar maquiagem em nada, mas deixar ali, cru e nu para que todos pudessem sentir.
    A moça como atriz é maravilhosa e ela também teve passagens, como o relacionamento com Manson que pelo que me recordo, também não terminou muito bem, em relação ao que ele falava do fim.
    Já está na lista de desejados e espero poder ler em breve.
    A capa é outro espetáculo!
    Beijo

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  5. Oi Fabi,

    Eu li uma resenha sobre esse livro recentemente. Na oportunidade já inclui a obra na minha lista de desejados.
    Depois de ler tua resenha reforcei mais ainda o interesse na leitura dele, apesar de não me interessar por biografia (ou auto-biografia, como colocou), acredito que esta será a primeira que prenderá minha atenção.

    Beijos
    http://espiraldelivros.blogspot.com/

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  6. Olá Fabíola,
    Eu conheço o trabalho dessa atriz por causa de Charmed e não sabia que ela tinha escrito um livro.
    Acho legal a iniciativa que ela teve de contar como a estória realmente é, ainda que não seja o mar de rosas que muitas pessoas pensam que é.
    Não sou fã de livros biográficos e não sei se vou ler esse livro, mas para os fãs da atriz esse livro parece uma forma de se conectar mais com ela.

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  7. Oi, Fabíola.

    Bom, é de extrema importância a Rose vir à tona e decidir nos trazer fatos bastantes revelantes, no qual muitas mulheres que também fazem parte desse mundo "glamouroso", passam e sofrem.

    Assunto esse, que são estimados por muitos como algo bobo, sem importância.

    Bem como esses relatos é um incentivo para que mais mulheres tenham a coragem que ela teve e expor tudo o que também sofreram!

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  8. Conheço a atriz, mas não conhecia a autobriografia dela. Confesso que tenho uma quedinha por livros empoderadores, e esse me parece andar nessa esteira. Não porque o assunto esteja em voga, mas por ser de extrema importância, acredito que esse tipo de literatura deveria estar nas estantes de todos, sejam eles homens ou mulheres. É um tema que diz respeito a todos nós, como ser humanos que somos. Imagino que não seja uma leitura fácil de digerir, assim como várias coisas que vemos e ouvimos no nosso dia-a-dia, mas é necessária e fundamental pra construção de relações de igualdade e respeito entre todos, independente de sexo, raça ou crença.

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  9. Olá! Gosto bastante de ler biografias, pois acho que é uma ótima oportunidade para conhecer o ser humano por trás da celebridade, acho que esse livro é bem intenso, e por não ter receio a Rose conseguiu transmitir muitos sentimentos para sua escrita, os temas que ela abordou estão super em alta, por isso, também acho, que essa é uma leitura obrigatória para todas as mulheres.

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  10. Sabe que não conhecia a Rose, mas imagino a vida que ela teve, viver sob seitas é realmente complicado, além do que, como você disse, existem muitas alienações no mundo que a gente se envolve e sofre inocentemente.
    Em Hollywood nem se fala! Deve ser cobra engolindo cobra o tempo todo, e quem possa recusar ser mal, deve sofrer ainda mais.
    Vou querer, com certeza, ler essa autobiografia.
    bjsss

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